terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Carroça Vazia

Hoje encontrei uma antiga história da qual não sei a autoria, mas que diz que um pai, muito sábio, convidou seu filho a dar um passeio no bosque e ele aceitou com prazer. Ele parou um pouco em uma clareira e depois de um pequeno silêncio, perguntou ao filho:
- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa, filho?
Ele apurou os ouvidos alguns segundos e respondeu:- Estou ouvindo um barulho de carroça.- Isso mesmo - disse o pai - é uma carroça vazia.No que o filho perguntou ao pai:- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?- Ora - respondeu o pai - É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

É possível lembrar desta história quando vemos uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura, arrogante, dono de uma razão inexistente, inoportuno, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é o dono da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz daquele pai dizendo: "Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."

Esta reflexão nos permite avaliar as próprias atitudes em relação aos outros.Como agimos diante do que nos incomoda e aborrece? Qual a nossa postura diante do sucesso ou da inteligência de quem está ao nosso lado? Ouvimos, analisamos, argumentamos com equilíbrio ou temos nos comportado como carroças vazias? Vale lembrar que o barulho emitido por algo assim é incômodo, traz angústia, sobressalto, desconforto... e um profundo alívio quando dele nos livramos. Não seria mais importante causar boas impressões, criar expectativas e desejo de aproximação?

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